sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Ich glaube nur der Statistik, die ich selbst gefälscht habe…

A Winston Churchill é frequentemente atribuída a frase:“I only believe in statistics that I doctored myself". Traduzindo, o antigo primeiro ministro britânico apenas acreditaria em estatísticas falsificadas por ele próprio.

Curiosamente, a frase é mais conhecida na Alemanha que na Grã-Bretanha, onde não há recordação ou alguma prova escrita conhecida que Churchill a tenha proferido. Aliás, o governante era conhecido pelo seu apreço pela Estatística, tendo recorrido à mesma para tomar decisões cruciais durante a segunda guerra mundial. Autor de obra extensa - chegou a ganhar o Nobel da Literatura - não será impossível que Churchill seja mesmo o autor da frase, mas há alguma desconfiança de que tal não terá acontecido. Há até quem atribua a frase à propaganda nazi.

Alvíssaras a quem encontrar documentos ou links mais esclarecedores sobre esta questão.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Experimentação Animal: FRAME Training School in Experimental Design and Statistical Analysis of Biomedical Experiments

Irá decorrer entre os dias 30 de março e 1 de abril do presente ano a FRAME Training School in Experimental Design and Statistical Analysis of Biomedical Experiments. O curso, co-organizado pelo Laboratório de Bioestatística da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e pelo Fórum dos investigadores doutorados do CNC.IBILI, dirige-se a todos os interessados em experimentação animal. Aborda temas como desenho de estudo, análise estatística dos dados e apresentação de resultados e permitirá adquirir competências ao nível dos procedimentos corretos com animais, minimização do tamanho de amostra e otimização da qualidade e relevância do output científico.


São oferecidos preços reduzidos (200 euros por participante) a trabalhadores e alunos da Universidade de Coimbra. Consultando o site do curso pode obter uma lista de oportunidades de financiamento para ajudar a custear as despesas com a inscrição.

O prazo de inscrição foi alargado para 27 de fevereiro.

Encontrará a ficha de inscrição para membros da Universidade de Coimbra no site do LBIM. Para outras fichas de inscrição, mais informações sobre programa, apoios ou outros aspetos relacionados com o curso poderá consultar o site da Frame Training School.

Perguntas frequentes em bioestatística #4. Que estatística aprendem os alunos do primeiro ano de Medicina?

A seguinte mensagem é a quarta comunicação da série Perguntas Frequentes em Bioestatística, da autoria de membros do Laboratório de Bioestatística e Informática Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Pretende-se fomentar uma discussão sobre as melhores práticas estatísticas na área da saúde.



Perguntas frequentes em bioestatística #4. Que estatística aprendem os alunos
do primeiro ano de Medicina?
Bárbara Oliveiros, Francisco Caramelo e Miguel Patrício

Como parte da cadeira de Biomatemática, lecionada no primeiro semestre do presente ano letivo (2014-2015), propôs-se aos alunos a realização de um trabalho de tema livre a ser apresentado na forma de um poster. O peso deste trabalho na nota final foi de 15%. Pretendeu-se desta forma expôr os alunos do primeiro ano do Mestrado Integrado em Medicina a dados reais, avaliar as suas capacidades para aplicar os conhecimentos de estatística adquiridos e incentivar a aquisição de competências, nomeadamente ao nível da síntese, apresentação e comunicação de resultados.

Foi sugerido como ponto de partida a consulta das bases de dados públicas da PORDATA, do Instituto Nacional de Estatística e da Organização Mundial de Saúde. Os alunos organizaram-se em grupos com 4 ou 5 elementos. Cada um dos 46 grupos definiu a sua própria questão de investigação. De forma propositadamente vaga, havia-se pedido apenas aos alunos que escolhessem um tema interessante e que formulassem uma questão de investigação adequada. Como já discutido antes, o processo de definição da questão não é isento de dificuldades e o mesmo foi sentido pelos alunos. Os temas abordados pelos diferentes grupos foram diversos, apesar de algumas naturais sobreposições. Listam-se de seguida os títulos de alguns posters, tal como foram propostos pelos alunos. Por uma questão de brevidade, excluem-se da listagem títulos exprimindo variações do mesmo tema. 

* Alzheimer: uma doença sem cura, mas com prevenção
* Intervenções cirúrgicas cardiovasculares, em ambulatório, e a sua relação com o PIB nos países europeus
* Relação entre a classificação final de curso e a do exame de acesso à especialidade, por sexo, no ano de 2007
* Número de obstetras vs.  número de partos
* Os países mais ricos têm mais médicos?
* Taxa de nados vivos fora do casamento, região e ano: qual a relação?
* Há relação entre o número de médicos dos países da EU e a respetiva esperança média de vida? (Ano de 2011)
* Cardiologistas vs. morte por Isquémia
* Incidência de todas as formas de TB e prevalência estimada de HIV em adultos com TB nos países SADC
* Impacto da saída de um aluno de casa no seu desempenho académico
* A renovação da população em Portugal: a influência do número de pediatras
* O consumo de antidepressivos é influenciado pelo número de horas de sol?
* Estudo comparativo da evolução do número de médicos por género em Portugal entre 1980 e 2011
* Estará o PIB per capita relacionado com a Esperança média de Vida à Nascença, nos países da União Europeia, entre 2004 e 2012?
* Evolução do número de médicos em Portugal de 1980 a 2011 e relação com o número de matrículas no Ensino Superior



Sensivelmente um mês após o início do trabalho, pediu-se aos membros de cada grupo que apresentassem, durante 5 minutos, o seu poster. Os mesmos foram avaliados tendo-se em conta a formulação da questão abordada, o rigor e correção da análise estatística, a capacidade de síntese e a apresentação e discussão dos resultados obtidos. Foram ainda valorizadas a organização do poster, a exposição feita pelos alunos e as respostas aos docentes na consequente discussão .

Os trabalhos que mais se destacaram podem ser visualizados no blog do LBIM (no post imediatamente anterior a este). Estes são uma mostra do trabalho dos alunos do primeiro ano do Mestrado Integrado em Medicina e uma forma de diagnosticar o que os mesmos aprendem na Unidade Curricular de Biomatemática.

Na próxima edição do Perguntas Frequentes em Bioestatística: “Qual é o teste estatístico adequado?

Posters - Biomatemática 2014/2015

No âmbito da cadeira de Biomatemática, no primeiro semestre do ano lectivo de 2014/2015, foi pedido aos alunos da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra que realizassem posters apresentando temas por eles escolhidos. Seguem-se 9 dos 46 posters apresentados:










terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Perguntas frequentes em bioestatística #3. Como estruturar os dados para análise estatística?

A seguinte mensagem é a terceira comunicação da série Perguntas Frequentes em Bioestatística, da autoria de membros do Laboratório de Bioestatística e Informática Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Pretende-se fomentar uma discussão sobre as melhores práticas estatísticas na área da saúde.

Perguntas frequentes em bioestatística #3. Como estruturar os dados para análise estatística?
Francisco Caramelo e Miguel Patrício


Num estudo estatístico, o ponto de partida é a questão de investigação. Estando esta bem formulada e tendo-se definido as medidas a efectuar, obtém-se uma amostra relativamente à qual se observam as variáveis definidas (ver Perguntas frequentes em bioestatística #1). Coloca-se então a questão de como colocar os dados recolhidos numa base de dados - por exemplo, numa folha de cálculo do programa Excel - de forma a facilitar a subsequente análise estatística.
Tipicamente, os dados são guardados numa tabela. Em cada linha colocam-se os dados observados ou medidos para cada sujeito da análise. As colunas corresponderão às variáveis do estudo, ver tabela 1.
  

Tabela 1. Dados estruturados para análise estatística


Os sujeitos relativamente aos quais se recolhe informação poderão ser pessoas, animais, objectos, artigos científicos; serão os elementos cujas características se pretende caracterizar. Deverão ser representativos da população que se quer estudar, que por sua vez é um conjunto de sujeitos nos quais se inserem aqueles cujas características foram recolhidas para o estudo. Deverá ter-se em atenção que as conclusões que se retirarem do estudo serão referentes a esta população (ver Perguntas frequentes em bioestatística #2).

Relativamente às variáveis, é útil distinguir entre variáveis categóricas e quantitativas. As primeiras são aquelas que atribuem a cada sujeito uma característica que não é expressa por uma quantidade (por exemplo, a variável género ou se uma determinada pessoa bebe café ou não). Variáveis quantitativas podem ser mensuradas e apresentadas numericamente (por exemplo, idade ou quantos cafés uma determinada pessoa bebe por dia). Cada coluna da tabela contendo os dados estruturados para análise estatística deverá corresponder a uma só variável. Estará assim a adaptar-se a apresentação da informação recolhida no estudo para que numa folha de cálculo se consiga facilmente, para variáveis categóricas, criar uma tabela indicando a frequência relativa de ocorrência de cada categoria (indicando, por exemplo, a percentagem das pessoas que bebem café e das que não bebem). Para variáveis quantitativas, será igualmente fácil calcular indicadores como a sua média, mediana ou desvio-padrão.

Tomando como exemplo um estudo fictício em que se pretende caracterizar hábitos de consumo de café no qual se registaram também género e idades de uma amostra, os dados poderão ser armazenados como na tabela 2 e codificados como na tabela 3.

Tabelas 2. Dados de um estudo de hábitos de consumo de café, estruturados para análise estatística

 Note-se que:
1-  Para facilitar a manipulação da tabela de dados num computador e a sua fácil compreensão, os nomes dados às variáveis:
a. Não têm acentos
b. Não têm espaços: cada nome é constituído por uma cadeia de caracteres em que as palavras são separadas pelo símbolo “_”
c. São facilmente interpretáveis

2- Todos os dados foram colocados num formato numérico para evitar ambiguidades e facilitar a manipulação computacional dos dados. Se para as variáveis quantitativas (Idade e Quantidade_cafes) tal é o procedimento óbvio, no caso das variáveis qualitativas (Genero e Bebe_cafe) houve o cuidado de traduzir as diferentes categorias em números. A tradução do significado dos diferentes números registou-se na Tabela 3.

Tabela 3. Codificação da tabela 2

Tipicamente, os dados que consistem o ponto de partida de uma análise estatística estarão contidos em duas tabelas: uma contendo as observações recolhidas e outra explicando o significado de cada variável, a codificação adoptada para cada variável qualitativa e as unidades em que estão expressas as variáveis quantitativas.

FAQ:
1- Em que software deverão ser colocados os dados?
Há uma grande escolha. Não sendo o volume de dados excessivamente grande, poderá usar-se o Excel. Nesse caso, os dados recolhidos (correspondentes à Tabela 2) poderão ser colocados numa folha e a codificação (correspondente à Tabela 3) noutra. É frequente também introduzir-se directamente os dados num programa específico para análises estatísticas como o IBM SPSS, o Graphpad ou outro. Este tipo de programas geralmente permitem a importação de dados em Excel.
2- Como se deverão guardar variáveis que não são traduzíveis em números, como nomes de pessoas?
Estes dados podem ser registadas na base de dados, mas a menos que possam ser traduzidos em números ou que dos mesmos se possa registar alguma característica numérica, não serão passíveis de ser analisados estatisticamente. Servirão eventualmente para alguma análise qualitativa, como referência para um processo clínico ou algum aspecto que possa ser importante manter em registo. Deverá nalguns casos ter-se cuidado e guardar confidencialidade na partilha de dados, eventualmente excluíndo variáveis que permitam a identificação de pessoas ou outras informações sensíveis.

Na próxima edição do Perguntas Frequentes em Bioestatística: “Que estatística aprendem os alunos
do primeiro ano de Medicina?”